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Muito Além do Transtorno…

Semana passada, Greta Thunberg foi eleita pela revista Time  a personalidade do ano de 2019. Uma menina, de 16 anos, AUTISTA, sendo ouvida pelo mundo todo, de igual para igual, abordando um assunto que não é o próprio autismo!

Mas você sabe por que atualmente ouvimos falar tanto em autismo e cada vez mais pessoas são diagnosticadas com esse transtorno? Estaríamos vivenciando uma epidemia de casos? O que causa o autismo?

 O Autismo é classificado como uma deficiência do desenvolvimento, onde as pessoas que são diagnosticadas dentro do espectro autista, lidam com déficits na cognição, na capacidade de comunicação e na interação social. Além disso, elas também podem exibir comportamentos repetitivos e tem dificuldades em abrir mão de sua rotina. Casos mas severos costumam implicar prejuízos no desenvolvimento da fala, problemas motores e agressividade.

Cada uma das nuances do espectro tem suas particularidades, e reconhecer essas particularidades foi o passo mais revolucionário que a medicina já deu na compreensão do autismo, o que levou pesquisadores a compreender que não se deve existir uma régua única para reduzir o autismo a um diagnostico único e fixo. Comportamentos que se manifestam em alguns casos não se manifestam em outros, cada sujeito, com ou sem autismo, continua sendo único.

Hoje sabemos que o autismo, pode ser dividido em três graus: o de ‘Alta funcionalidade’, que costuma envolver pequenos prejuízos na comunicação, mantem hiperfoco em interesses específicos, como é o caso de Greta, encontram problemas com planejamentos e organização. Depois o segundo nível que é o de ‘Média funcionalidade’, onde as habilidades sociais são limitadas aos assuntos de interesse, possuem perdas moderadas na fala, dificuldades em se adaptar as mudanças de rotina, não mantem contato visual, e não conseguem compreender a linguagem não-verbal. Ficando por último, o terceiro grau do espectro, o de ‘Baixa funcionalidade’, sendo que nesse grau mais severo, há prejuízos intelectuais graves, alta sensibilidade a sons e a luz, fala limitada ou inexistente, comportamentos repetitivos, problemas motores, mudanças de personalidade e, por vezes, agressividade.

Através de vários estudos recentes, mais pessoas estão sendo diagnosticadas como autistas de forma mais correta do que no passado, e isso faz com que os casos diagnosticados aumentem consideravelmente. Isso graças a um entendimento melhor sobre o assunto e a critérios de avaliação medica mais refinados.

Sabemos ainda que o autismo trata-se de uma doença predominantemente masculina, sendo uma mulher para cada três homens diagnosticados, e que o diagnostico clinico, realizado a partir da analise do comportamento, costuma ser possível apenas a partir dos dois anos de idade, quando as interações sociais começam a se tornar mais complexas.

Sua causa é em 81% dos casos hereditária, e não é raro que pessoas dentro do espectro apresentem outros quadros psiquiátricos como ansiedade, epilepsia, depressão e TDAH (Transtorno de déficit de atenção e hiperatividade).

O tratamento é feito a partir de terapias com psicólogos ou psiquiatras, com ajuda medicamentosa para tratar os transtornos paralelos como a ansiedade e o TDAH, porém a técnica mais promissora  no futuro é o tratamento a partir das terapias genéticas, pois ao descobrir qual é o gene alterado, o individuo poderá  se beneficiar de uma terapia mais personalizada.

Vacinas, comer peixe com alta concentração do poluente mercúrio, parto por cesárea, e epidemias, são mitos que já caíram por terra, bem como a cura milagrosa da doença, que definitivamente não existe.

Ou seja, quando falamos de autismo não estamos falando apenas de uma palavra, estamos falando de um mundo que engloba pessoas que jamais foram diagnosticas e que talvez morram sem conseguir explicar o que sentiam.  Mundo este em que cada autista é um produto de uma combinação inédita de centenas de genes, únicos, que não havia existido até então e que nunca existirá igual novamente.

Uma revolução na forma de pensar a medicina e que não levanta um muro entre saudáveis e doentes, muito pelo contrário, constrói escadas para que todos possam ser vistos como capazes dentro de suas especificidades, vislumbrando um futuro digno, autônomo e feliz.

O que aconteceu por esses dias, foi um marco na história da inclusão adequada dos autistas na sociedade! Devemos voltar nosso olhar para as potencialidades e NÃO para as dificuldades! Assim veremos que TODOS, cada um dentro de suas limitações, típicos ou atípicos… podem! Sempre Podem!

Com amor,

Gabi

Aline Frediani

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